Por que o preço é a parte mais importante
No pregão, a maioria das compras é decidida pelo menor preço. Isso cria uma armadilha: na hora dos lances, a empresa vai baixando o valor e, quando percebe, ganhou um contrato que dá prejuízo. E contrato com o governo precisa ser cumprido até o fim.
Por isso, o trabalho mais importante acontece antes da sessão: descobrir, com calma, qual é o menor preço que ainda vale a pena. Se você ainda não conhece a dinâmica da disputa, leia como funciona o pregão eletrônico.
Os custos que você precisa somar
Monte uma lista simples, item por item do edital. Considere:
| Custo | O que entra |
|---|---|
| Produto ou matéria-prima | Preço de compra ou custo de produção por unidade |
| Mão de obra | Horas de produção, montagem ou execução do serviço |
| Impostos | Os tributos sobre a venda conforme o regime da sua empresa (Simples, Lucro Presumido etc.) |
| Frete e entrega | Transporte até o endereço do órgão, que pode ser em outra cidade |
| Embalagem e etiquetas | Exigências do edital sobre como entregar |
| Custos administrativos | Certidões, garantia contratual (se exigida), deslocamentos, assessoria |
| Custo financeiro | O dinheiro parado entre comprar, entregar e receber |
Confirme os impostos com o seu contador. Um erro de poucos pontos percentuais na alíquota pode consumir todo o lucro.
Leia o edital com olhos de quem vai pagar a conta
O edital esconde custos que não aparecem no preço do produto. Antes de calcular, procure:
- Local e forma de entrega: entrega única ou parcelada? Em um endereço ou em várias unidades?
- Prazo de entrega: prazos curtos podem exigir estoque ou produção extra.
- Amostras: se pedirem amostra, o custo é seu.
- Garantia e assistência: trocas e reposições custam dinheiro.
- Reajuste: o edital indica se e como o preço será corrigido ao longo do contrato.
- Quantidades: em uma ata de registro de preços, o governo pode pedir só parte da quantidade estimada. Não conte com o volume total para diluir custos fixos.
Calcule seu preço mínimo, passo a passo
- Some todos os custos por unidade.
- Aplique os impostos sobre o preço de venda, não sobre o custo. Uma forma prática é dividir o custo pelo que sobra depois dos impostos e da margem (por exemplo, custo dividido por 1 menos a soma dos percentuais).
- Defina a margem mínima que você aceita para assumir aquele contrato.
- O resultado é o seu preço mínimo. Anote e não ultrapasse na disputa.
- Defina também um preço inicial, um pouco acima, para ter espaço de lances e negociação.
Exemplo simples: se o custo total de uma camisa é R$ 30, os impostos somam 8% e você quer 12% de margem, o preço mínimo fica em torno de R$ 30 dividido por 0,80, ou seja, R$ 37,50. Os números são só ilustrativos: use os seus.
Um edital pode ter dezenas de itens. Um erro comum é aplicar a mesma margem para todos, ou calcular só o item principal e "chutar" o resto. Faça o cálculo item por item, porque o frete, o custo de produção e a concorrência mudam de um para outro.
Quando a disputa é por lote, ou seja, um grupo de itens vendidos juntos, preste atenção redobrada. Você precisa vencer o lote inteiro e entregar todos os itens. Às vezes um item do lote dá prejuízo e só compensa se os outros tiverem margem suficiente. Some tudo antes de decidir participar.
Também vale observar se o edital pede o preço com duas casas decimais e se ele julga pelo valor unitário ou pelo valor total. Uma diferença de centavos no unitário, multiplicada por milhares de unidades, muda o resultado do contrato.
Compare com o preço de referência do órgão
Antes de publicar o edital, o órgão faz uma pesquisa de preços e define um valor estimado. Em muitos editais esse valor aparece; em outros, ele fica sigiloso até o fim da disputa.
- Se o seu preço mínimo fica muito acima da referência, talvez aquela licitação não seja para você agora.
- Se fica muito abaixo, revise: você pode ter esquecido algum custo.
Cuidado também com preços baixos demais. A lei permite desclassificar propostas consideradas inexequíveis, ou seja, que não parecem capazes de cobrir os custos. Nesse caso, o pregoeiro pode pedir que você comprove que consegue cumprir aquele valor.
Registre e revise seus preços depois de cada disputa
Cada pregão é uma aula sobre o seu mercado. Depois da sessão, anote o preço que venceu, quantas empresas disputaram e em que posição você ficou. Os resultados ficam públicos nos portais e no PNCP.
Com o tempo, você monta uma base própria de preços e descobre em quais produtos é competitivo e em quais não vale insistir. Isso economiza tempo e ajuda a escolher melhor as próximas licitações.
Revise também seus custos com frequência. Matéria-prima, frete e impostos mudam, e um preço que era bom no ano passado pode não ser hoje.
Não esqueça o tempo até receber
O governo paga, mas segue um rito: primeiro você entrega, depois o órgão confere, registra a entrega e só então libera o pagamento. Entender esse caminho evita surpresas no caixa, e explicamos em detalhes em como funcionam empenho, liquidação e pagamento.
Se você vai comprar matéria-prima à vista e receber semanas depois, esse dinheiro parado tem custo. Inclua uma parcela no preço ou planeje capital de giro antes de entrar na disputa.
Como a WE Consult ajuda
Montar preço para licitação fica mais fácil com prática. Na WE Consult, analisamos o edital com você, apontamos os custos escondidos (frete, amostra, prazos, garantia) e ajudamos a chegar ao preço mínimo junto com a sua contabilidade. Na sessão, damos os lances sem nunca passar do limite que você aprovou. Preferimos perder uma disputa a fazer sua empresa ganhar um contrato que dá prejuízo.
Passo a passo resumido
- Leia o editalIdentifique quantidades, local e prazo de entrega, amostras, garantia e regras de reajuste que afetam o custo.
- Some os custos por unidadeInclua produto ou matéria-prima, mão de obra, frete, embalagem, custos administrativos e o custo financeiro até receber.
- Aplique impostos e margemCalcule os tributos sobre o preço de venda, conforme o regime da empresa, e acrescente a margem mínima aceitável.
- Defina preço mínimo e preço inicialAnote o menor valor que ainda dá lucro e um preço inicial um pouco acima para ter espaço de lances.
- Compare com a referência do órgãoConfira o valor estimado do edital para ver se a disputa é viável e se nenhum custo ficou de fora.
Perguntas frequentes
Posso dar um lance abaixo do custo para ganhar o contrato?
Não é recomendado. O contrato precisa ser cumprido até o fim, e o pregoeiro pode desclassificar propostas que pareçam inexequíveis ou pedir comprovação de que o preço cobre os custos.
Como saber o preço que o governo está disposto a pagar?
Muitos editais trazem o valor estimado. Você também pode consultar resultados de compras parecidas no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP).
O imposto entra no preço da proposta?
Sim. O preço da proposta deve incluir todos os tributos e despesas necessários para entregar o objeto. Confirme as alíquotas com o seu contador.
O preço pode ser reajustado durante o contrato?
O edital deve indicar se há reajuste e qual índice será usado. Leia essa cláusula antes de definir o preço, principalmente em contratos longos.
- Lei nº 14.133/2021 — Lei de Licitações e Contratos (Planalto)
- Instrução Normativa SEGES/ME nº 73/2022 — licitação eletrônica (Compras.gov.br)
- Compras.gov.br — Ministério da Gestão e da Inovação
Conteúdo informativo, revisado em 21/10/2026. Regras e valores podem mudar; confira sempre o edital e a legislação vigente.